segunda-feira, 31 de maio de 2010

O diploma pode ter caído, mas a ética jamais!

Não bastasse a Justiça ter dado uma rasteira nos jornalistas, assistimos agora os próprios profissionais de imprensa contribuindo para a banalização do Jornalismo. Um princípio básico de quem trabalha com informação vem sendo desconsiderado, desrespeitado e ignorado diariamente por alguns jornalistas da Região. Me refiro aos dois lados da notícia, conceito indispensável quando se trata de noticiar um fato. Já estive nas redações e entendo perfeitamente a pressão do fechamento, o martírio do dead line e a cara feia do editor. Hoje estou do outro lado do balcão e venho assistindo, boquiaberto, a atitudes de colegas que, na ânsia de dar a notícia, seja ela um buraco de rua ou a denúncia de um vereador na tribuna, passam por cima de uma regra imprescindível. “Tenho o fato e uma fonte, basta”. Grosseiramente é assim que, infelizmente, jornalistas têm tratado a matéria-prima do seu ofício. Dar a notícia hoje e tentar a resposta dois ou três dias depois fere não apenas a ética jornalística, mas a própria Constituição Federal que, em seu artigo 5º assegura o direito de resposta proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem. Nem questiono aqui o papel dos empresários de comunicação, a visão deles, obviamente é o lucro e isso foge da proposta deste artigo. O que questiono é o jornalista que se deixa levar pela orientação míope e ignora os princípios básicos do Jornalismo. Qual desculpa convence a falta de ética, seja qual for a profissão? Seria a imprudência, a falta de conhecimento ou simplesmente a má fé? Eugênio Bucci, em seu livro “Sobre Ética e Imprensa” (Cia das Letras/2000) afirma que a ética não se resume a uma normatização do comportamento de repórteres e editores; encarna valores que só fazem sentido se forem seguidos tanto por empregados da mídia como empregadores – e se tiverem como seus vigilantes, os cidadãos públicos. Concordo com Bucci e divido com os colegas das redações, das assessorias, com os futuros jornalistas e com a sociedade, esta preocupação em defesa da liberdade de expressão e do acesso à informação. Por José Roberto Silva (jornalista)

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